domingo, 17 de março de 2019

Hoje É Bandeira Da Saudade

    Há um ano meu tio Sílvio faleceu. Hoje, meu pai e tios fizeram um almoço em memória dele. Embora tenha sido um momento delicado e não podendo estar fisicamente presente, agradeço à tecnologia pela oportunidade de viver um pouco da minha infância em uma ligação de 7 minutos e 40 segundos. 
    Rua Aticum - casas 12 e 5. Uma bem em frente à outra. Por volta das 9 horas, enquanto eu estava indo à Igreja com a família da minha mãe, a família do meu pai chegava com carne e cerveja (um estoque para o dia todo). Eu sabia que 12:00 quando eu voltasse a festa estaria pronta. E eu corria pra ver meus primos e ouvir todo mundo dizendo que agora a festa iria começar porque eu havia chegado. A gente corria de um lado para o outro na rua enquanto o Brega rolava solto. Roubávamos petiscos de churrasco da mesa e voltávamos pra brincar e brigar mais um pouco. Lá de dentro vinha a música que ecoava pela rua. Som potente comprado na loja de segunda mão. Luiz Ayrão. De repente, um Ilari ilari-ê, Ô Ô Ô no meio da sala. Todo mundo dançando junto abraçado. Pulando. Lá pelas 17:00 a fome batia e ainda tinha peixe, carne, frango assado com muita farofa. Fanta na mesa pras crianças. "Tio, me dá 2 reais pra comprar um picolé?" O tio bêbado dava 50. Corríamos todos para o mercadinho  
    Eu achava que nunca iria acabar cada Domingo que passávamos juntos brigando pra escolher qual filme assistir. De noite todas as crianças limpas depois de tomar banho. Cheiro de talco. Pegávamos no sono ou ficávamos mais elétricos ainda. Os tios cantavam pra gente. Faziam cócegas. A festa continuava noite adentro. 
    Hoje eles se encontraram em uma casa diferente. As portas e pintura não são familiares. Se eu atravessasse aquela rua correndo, morrendo de vontade de ver meus primos e brincar, eu não mais os encontraria. Houve um dia lá em meados de 2006 que nos reunimos pela última vez e ninguém sabia que seria o último churrasco com direito às músicas de sofrência. 
    Eles alegaram que estavam tão "felizinhos", cantando e celebrando porque meu tio Sílvio não gostava de tristeza. E eu não poderia concordar mais. Sei que meu tio está feliz que seus irmãos se reuniram no dia de hoje, me ligaram com chamada de vídeo, me fizeram falar Inglês com o primo Rafael. Me disseram que vai ter um peixe assado esperando por mim quando eu for à Manaus. 

      Só uma música de Fagner, dos meus Domingos como criança, vem à mente: 
"Quem sabe tudo estará sorrindo quando eu voltar." 

      

E O Oscar Vai Para...

      Muitas pessoas podem nos encorajar e moldar quem seremos, principalmente aqueles que amamos. Uma opinião sua e nossas metas se tornam mais reais, nossas causas e motivos têm mais valor. Às vezes esquecemos que podemos encorajar outras pessoas também. Como disse o meu amigo Dumbledore: "Palavras são, na minha nada humilde opinião, nossa inesgotável fonte de magia. Capazes de formar grandes sofrimentos e também de remediá-los." 
     Em 2013, Anne Hathaway ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante pelo papel de Fantine na fenomenal adaptação para o cinema de Les Misérables. Em seu discurso de agradecimento, ela falou sobre as pessoas que ajudaram-na durante a preparação para atuar neste papel tão importante para muitos, pelo fato de ser esse um musical renomado da Broadway por mais de 25 anos. Obra mundialmente famosa de Victor Hugo. 
     Os professores de canto, instrumentistas, diretores de cena e todos aqueles que participaram do processo criativo do filme contribuíram muito para o desempenho de Anne em cena, porém, no fim do dia, quando ela chegava em casa talvez pensando que não fizera um bom trabalho, a voz mais importante sempre vinha de seu marido: "Você vai conseguir." E talvez era assim que ela sabia. Sabia que conseguiria.
   Seja você conhecido mundialmente ou não, todas as suas conquistas são realizadas principalmente por causa daqueles que estão ao seu lado na intimidade, quando a porta da casa está fechada. Quando não precisamos mais fingir os sorrisos ou segurar o riso frouxo. O mundo lá fora bem longe. Distante.
       Anne encerra seu discurso com as seguintes palavras:" [Ao] meu marido. De longe, o melhor momento da minha vida é aquele em que você chegou. Eu te amo muito."

Então, se você ganhasse um Oscar, para quem o dedicaria?


      
      
      

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

É Só o Lance das Fraldas

     24 de Dezembro. 7:00 da manhã o alarme toca, mas a correria pela casa já é sentida com pézinhos pulando no corredor. Barulho na porta do quarto. "Amor, abre lá." A porta nem abriu direito e as crias já se jogaram na cama. Vira aquela bagunça e você me dá um beijo ao mesmo tempo em que faz cócegas no mais novo. 
         A gente toma café da manhã e divide as tarefas do dia. Porque claro, os anfitriões da ceia de natal desse ano esqueceram de ir ao mercado. Pelo menos os presentes estão embrulhados. 
        Você se oferece pra lavar a louça e eu me ofereço ao mesmo tempo porque nenhum de nós dois quer trocar aquela fralda fedorenta. Mas eu te livro dessa. E sempre digo que é a última vez que vou trocar contigo. E nunca é. Rsrs. 
       Eu limpo a casa por dentro e você por fora. Levi te ajuda com o jardim, a área da piscina, os carros, o lixo, bagunça do cachorro e os brinquedos dos pequenos. Isabela me ajuda com os sofás, os corredores, os quartos e banheiros.
       Depois do almoço, eu saio com o Levi pra comprar as comidas. Volto estressada com as filas quilométricas e você já vem com o pequeno nos braços. Fralda suja de novo. "E eu não tinha dito que era a última vez?!". "Só mais essa amor, por favor!"
     Começamos a cozinhar para o evento. Malabarismo entre prestar atenção na comida e nas crianças e nos projetos que temos que entregar até sexta-feira. Uma conversa sobre "essa empresa não tem folga não" termina com "pelo menos a gente tem projetos pra fazer". 
        Você arruma os meninos e eu arrumo a Isabela. Hoje ela pode usar maquiagem e fica super animada. Vovó e Vovô chegam com a sobremesa geladinha nas mãos. É aquela festa! Mesa posta. Guardanapos bem Natalinos. Tudo combinadinho. Tudo pronto. 
     Comemos e conversamos sobre os tios que estão viajando, as crianças que cresceram e as finanças que nem tanto, mas estamos bem. Troca de presentes. Muito chocolate e briquedos pras crias. Você reclama que eu tiro muita foto, mas não para de olhar pra mim com esse sorriso lindo. Largo. E eu lembro de como era o Natal sem você. De como eu sonhava em te encontrar. Lembro de mim escrevendo nas notas do celular enquanto meus alunos faziam prova. Sonhando com essa vida que hoje... agora... é tão minha. Tão nossa. E quem sabe, é por isso, que eu sempre sempre sempre vou te livrar das fraldas. 

domingo, 13 de maio de 2018

The Power of Faber-Castell





   I dedicate these words to the 36 colored pencils sitting by my bed at midnight that inspired me to write about this encounter. 

to my future lover, companion and friend: 
you will mean no less than all this to me. 



I've been looking for a friend For a safe place to land.
I've been coming through Through all that's good and true
For you.

And I wish I could've known 

Just how you would walk into my life 

I wish I knew
Who you are and where we meet.

Because baby, I've had enough of no's and don'ts Of bad and pretend.

But you are the prettiest thing The nicest thing The one I hope to be.

So come to me and rearrange me Meet me with my big dreams and dream them on.

Help me grow and lift me up Be the one that will prove them all wrong,

That love does exist and it so does for you and me.


There I was Living life to its fullest, Going everywhere Taking all the roads to the unknown.

Sunsets and romantic songs Brought happiness and completeness that now belong To you and you alone.

In your hands they now have landed The world as I knew has come and gone
But you stand Oh, you stand

As proof that sometimes we need to wander a bit

And search and hope and feel That everything I dreamed Was right there to set me free.

And though these words try to make sense At your feet they do no justice,

For the reason is you And you have always been

The very true reason
For me.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

A Gente Vai Ser Mundo

A gente vai ter uma casa. Ela é uma parte feita de madeira. Existem muitas árvores ao redor e uma piscina nos fundos. Varanda no nosso quarto. A gente vai ter uma padaria lá perto pra no fim do dia passar por lá e comprar pãozinho quente. Pizzas no Sábado à noite também serão bem-vindas e tratadas com amor. A gente vai ter um carro preto, lindo. A gente vai lavar o carro sempre que der. A gente vai ter um piano que ninguém nunca toca.

A gente vai ter um cachorro, ele é amarelado, Labrador bem bagunceiro. Não fica atrás das crias, 2 ou 3 brigando e brincando por aí. A gente vai ter uma cama grande pra caber as crias com os pés e os corações gelados com medo dos monstros na madrugada. A gente vai ter alvoroço se arrumando pra ir à Igreja Domingo de manhã e todo mundo se apertando no banco pra caber direitinho.

A gente vai ter um dia só pra nós dois, sair de mãos dadas no parque, no shopping, no cinema... A gente vai ter leitura das escrituras, orações, risadas, brincadeiras, aniversários comemorados com muito bolo. Visita de vovó e vovô.

A gente vai ter brigas, vontade de largar tudo e ir embora. A gente vai ter lágrimas, palavras ditas sem querer e mágoas. A gente vai ter tempo pra respirar, esfriar a cabeça, deixar a poeira abaixar. Momentos de "preciso dar uma volta". A gente vai ter conversa calma depois da tempestade e acerto de visão no fim do dia. Porque afinal, o lugar pra onde a gente olha é o mesmo. Mesmo sendo tão diferentes.

A gente vai ser grande, conquistadores de sonhos, celebradores de vitórias e consoladores um do outro nas derrotas. A gente vai querer explodir de felicidade e às vezes querer explodir um ao outro. A gente vai ser nada. A gente vai ser tudo. A gente vai ser mundo.







Love, 
Luana. 



segunda-feira, 24 de julho de 2017

Quando Meus Olhos Foram Abertos

Alguns dias atrás vi um vídeo de uma família caminhando pelas ruas de Roma e ao fundo uma música tradicional italiana tocava encantando a multidão.

Existe algo encantador sobre a Europa que me faz querer amar alguém ao ponto de fugir juntos para uma aventura no velho mundo. Desde as aulas de história do Ensino Fundamental até as contas no Instagram que falam de beautiful destinations, minha imaginação vai longe.

Na maioria das vezes estamos em Paris durante a primavera. Já está anoitecendo e procuramos por um lugar para comprar macarons e/ou souvenirs para as amizades. O Sol no horizonte está lilás, desaparecendo de fato. Enquanto caminhamos de mãos dadas uma conversa sem nexo surge e a risada logo em seguida. Então, La Vie en Rose começa à tocar bem distante, quase imperceptível. Tudo que existe no ar é o romance que um final do dia em Paris pode ser. E quão romântica Paris realmente pode ser? Um dia saberei.

Nos últimos dias estivemos em Roma, especialmente depois daquele vídeo. Andando entre  milhares de turistas as if we were not two of them tentando visitar a Capela Sistina, Colosseum, e numa grande aventura até Musei Vaticani. Então pegamos um trem até Florência para mais aventuras e uma boa pizza at Ristorante il Paiolo if you like pizza, you know. Em Veneza pegamos uma Gondola e seguimos pelo Grand Canal na calmaria daquelas águas.

Agora eu quero que você pense no lugar mais romântico que já esteve na vida (acompanhado (a) ou não). Imagine seus pés no chão desse lugar, são pedras? Asfalto? Barro? Agora olhe para frente e lembre-se mais uma vez... o que existe ali, o horizonte? Um muro? O mar? Alguém?

Quando seus olhos forem abertos para as possibilidades que lhe aguardam, onde quer que seja e quem quer que seja a companhia, espero que esteja e queira estar italianamente ou parisiensemente in love.





quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Sir Alfred Carter

      "Esses dias passam. Quando costumavam me dizer isso, eu não acreditava, pois sentir tudo tão profundamente era o que eu queria fazer. Aprendi que 'passar' é uma decisão. E de repente, ao tocarem nos nomes não doi mais, os lugares guardadores de memórias são palco de outras muito melhores, os velhos apelidos, os filmes, as risadas que eu reconheceria de muito longe, os livros... ah, aqueles livros... Hoje, talvez por já ser velho e com uma carga grande, eu compreendo melhor que decidir sentir a dor foi bom. Sentir tudo aquilo foi muito bom. Melhor mesmo foi deixar de sentir. E esses dias passaram, como me disseram que passariam."
 
 
 
P.s.: O blog de alguém por aqui não será abandonado.